Conheça os principais sinais do autismo em bebês | CLAUDIA

Ainda não se sabe qual a causa do autismo. Um estudo recente publicado na revista científica Nature mostrou que um dos sintomas mais comuns e conhecidos de quem é acometido pelo transtorno, a dificuldade de olhar nos olhos e na boca de outras pessoas, pode ter um componente genético.

No Brasil, há cerca de 2 milhões de casos de autismo diagnosticados. Como nem todos são registrados, estima-se que o número possa ser ainda maior, chegando a 3 milhões de pessoas.

Entre eles está Victor, filho de Eufrasia Agizzio, que concorre ao Prêmio CLAUDIA na categoria Consultora Natura Inspiradora. Depois de muito esforço para fechar o diagnóstico do rapaz, hoje com 18 anos, e, em seguida, para matriculá-lo em uma escola da rede regular, ela decidiu agir.

Ela criou a Associação de Monitoramento de Autistas Incluídos (Amai), que atende crianças e adolescentes de Santa Bárbara d’Oeste, no interior de São Paulo. Além de assistência social às famílias e de sessões semanais de fonoterapia, terapia ocupacional, psicologia e pedagogia, a instituição oferece informação sobre o transtorno. Entre outras ações, divulga os possíveis sinais do autismo.

Confira a seguir alguns dos indícios do transtorno nos primeiros meses de vida de uma criança:

Dos 0 aos 6 meses:

  • Não procuram seus cuidadores (pais, parentes, babá) com o olhar;
  • Prestam mais atenção em objetos do que em pessoas;
  • Tendem a ficar muito em silêncio ou emitem gritos sem motivo aparente;
  • Ignoram ou não reconhecem a voz dos cuidadores;
  • Choram muito aparentemente sem causa alguma;
  • Não exploram objetos, como brinquedos.

Dos 6 aos 12 meses:

  • Não costumam fazer gestos para pedir colo;
  • Não imitam os adultos;
  • Não respondem pelo nome. Reagem apenas depois de muita insistência ou quando são tocados;
  • Têm dificuldade de entrar nas brincadeiras;
  • Não manifestam expressões faciais significativas;
  • Não imitam gestos de outras pessoas, sejam faciais ou manuais;
  • Não balbuciam ou tentam falar.

De 12 a 18 meses:

  • Não apontam para objetos;
  • Têm dificuldade de compreender situações novas;
  • Raramente falam as primeiras palavras;
  • Têm dificuldade ou não brincam de faz de conta;
  • Raramente exploram objetos, como brinquedos próprios para a idade;
  • Tendem a repetir ações insistentemente.

De 18 a 24 meses:

  • Não olham para objetos quando alguém aponta para eles;
  • Não se interessam por objetos que a eles são oferecidos;
  • Gesticulam pouco;
  • Nem sempre fazem os gestos de “sim” e “não” com a cabeça;
  • Tendem a repetir o que escutam;
  • Não imitam ações e gestos dos adultos.

Fontes: Associação de Monitoramento dos Autistas Incluídos (Amai) e Diretrizes de Atenção à Reabilitação da Pessoa com Transtornos do Espectro do Autismo, do Ministério da Saúde)

 

Fonte: Conheça os principais sinais do autismo em bebês | CLAUDIA

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Estudos norte-americanos mostram evidências que ligam o autismo a infecções – Ciência e Saúde – Correio Braziliense

 postado em 14/09/2017 06:00

 Paloma Oliveto – Enviada Especial

Com o aumento, desde a década de 1980, no número de casos diagnosticados de autismo — uma em cada 68 crianças nascerá com o distúrbio —, cientistas estão atrás de causas ambientais que ajudem a explicá-lo. Por observação, sabe-se que mulheres severamente infectadas por vírus durante a gestação correm mais riscos de dar à luz um bebê com o transtorno de espectro autista (TEA). Da mesma forma, estudos com animais demonstram que a resposta imunológica à presença de um micro-organismo externo causa, na cria, comportamentos sociais atípicos. Agora, dois artigos publicados na revista Nature ajudam a lançar luz sobre o fenômeno, mostrando que há mais ligação entre infecções e risco de TEA do que o imaginado.

Os trabalhos, realizados na Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard e no Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT), ambos nos Estados Unidos, devem, segundo os autores, ajudar a buscar futuras estratégias de prevenção. Por ora, os resultados se aplicam ao modelo estudado: ratos cujas mães foram infectadas, na gestação, com uma bactéria prejudicial à flora intestinal. “Se conseguirmos replicar nossos achados em estudos com humanos, poderemos oferecer uma forma de reduzir o risco de autismo, bloqueando a função de algumas cepas de bactérias encontradas no intestino das mães”, diz Gloria Choi, professora de ciências do cérebro e da cognição do MIT e líder de uma das pesquisas.
Os autores dos artigos explicam que a associação entre infecção materna e autismo ganhou força em 2010. Foi quando um estudo epidemiológico dinamarquês com dados de todas as crianças nascidas no país nórdico entre 1980 e 2010 constatou que o contágio viral severo no primeiro trimestre de gestação aumentava três vezes o risco do transtorno. Já as infecções bacterinas no segundo trimestre estavam associadas a uma chance 1,42 maior. Entre as doenças estudadas estavam influenza, gastroenterite e infeção do trato urinário.
No ano passado, Gloria Choi e Jun Huh, da Faculdade de Medicina de Harvard, fizeram uma importante descoberta nesse campo. Em um trabalho publicado na revista Science, eles revelaram que células do sistema imunológico chamadas Th17 produzem uma molécula, a IL-17, que, em ratos, é responsável por transtornos comportamentais semelhantes aos verificados em humanos com autismo. Quando as gestantes eram infectadas com vírus e produziam a resposta de defesa, o IL-17 interagia com receptores do cérebro em desenvolvimento dos fetos, produzindo anomalias em algumas regiões do córtex. Agora, porém, as pesquisadoras se aprofundaram no mecanismo e o associaram, também, à flora intestinal da mãe.

Comportamento alterado

Em um dos artigos publicados na Nature, a equipe de cientistas descobriu que as alterações cerebrais são mais comuns em uma área chamada S1DZ, que faz parte do córtex somatossensorial. Acredita-se que essa região seja responsável pela propriocepção ou cinestesia — percepção que o indivíduo tem de onde o corpo se encontra no espaço, também chamada de consciência corporal.
Nesse local, a população de células chamadas interneurônios estava reduzida. Essas estruturas são responsáveis pelo controle do balanço entre excitação e inibição no cérebro, e os pesquisadores descobriram que, no caso dos ratos cujas mães tiveram infecção pela bactéria, os interneurônios na S1DZ apresentavam atividade exagerada. Ao restaurar os níveis normais de atividade cerebral na região, foi possível reverter as alterações comportamentais que os animais apresentavam.
Além disso, os pesquisadores descobriram que a S1DZ envia mensagens para outras duas regiões cerebrais: o córtex temporal e o striatum. Ao inibir os neurônios conectados a essa primeira área, foi possível reverter os deficits sociais. Já com a inibição das células ligadas ao striatum, a equipe conseguiu anular os comportamentos repetitivos. Todas essas são, em humanos, características do autismo.

Antibiótico

No segundo artigo, os pesquisadores investigaram os fatores que influenciam o desenvolvimento de autismo em fetos de gestantes com infecções. “Nem todas as mães com infecção severa têm filhos com autismo e, da mesma forma, nem toda resposta inflamatória materna vai fazer com que os ratos nasçam com anomalias comportamentais”, observa Choi. “Isso sugere que a inflamação na gravidez é apenas um dos fatores. É preciso uma soma deles”, afirma.
O pesquisador da Universidade de Harvard Jun Huh explica que uma das questões-chave descobertas no estudo foi que, quando se estimulava o sistema imunológico de algumas fêmeas gestantes, elas começavam a produzir IL-17 em um dia. “Normalmente, levam-se três a cinco dias para isso acontecer, porque essa molécula é produzida por células especializadas do sistema imunológico e elas precisam de tempo para se diferenciar”, afirma. “Pensamos que, talvez, essa proteína esteja sendo produzida não de células imunes diferenciadas, mas de um grupo celular preexistente”, diz.
Pesquisas anteriores em ratos e humanos detectaram populações de Th17 no intestino de indivíduos saudáveis. Acredita-se que essas células, que ajudam a proteger o hospedeiro de micróbios perigosos, sejam produzidas depois da exposição a alguns tipos de bactérias inofensivas. Agora, descobriu-se que apenas as crias dos ratos com um tipo específico de bactéria, as segmentadas filamentosas, têm anomalias comportamentais e estruturais no cérebro. O uso de antibiótico nos animais gestantes impediu que os ratos nascessem com esses problemas.
“Até termos um estudo com humanos em larga escala, é difícil dizer se nossos resultados terão aplicação clínica”, diz Huh, embora não descarte que, confirmado o achado, o uso de antibióticos possa ser uma das estratégias para prevenir o autismo. “Por ora, o que podemos dizer é que fatores ambientais, incluindo inflamações, durante a gravidez provavelmente têm efeitos significativos no desenvolvimento de distúrbios neurológicos em crianças.”
Em um editorial, Craig M. Powell, neurocientista da Universidade do Texas em Dallas, que não participou dos estudos, avaliou que os artigos demostram uma “conexão clara entre bactéria intestinal, sistema imunológico e desenvolvimento cerebral”.  “O próximo plano da equipe é descobrir como evitar que essa bactéria desencadeie, desnecessariamente, uma produção alta de IL-17”, escreveu Powell. Sobre isso, Huh tem um palpite: “Podemos descobrir micróbios que combatam as bactérias segmentadas filamentosas. Talvez, então, um probiótico poderia tratar mulheres antes ou durante a gestação”.

 

Fonte: Estudos norte-americanos mostram evidências que ligam o autismo a infecções – Ciência e Saúde – Correio Braziliense

PINHAL NOVO | Benefícios dos cavalos em pessoas com autismo apresentados no Auditório Municipal – Diário da Região

O Auditório Municipal do Pinhal Novo, concelho de Palmela, acolhe esta quarta-feira, 6, entre as 17 e as 19h00, uma conferência sobre os benefícios terapêuticos dos cavalos para pessoas com perturbações do espectro do autismo.

A iniciativa é dirigida a pais e profissionais de educação e de saúde e irá debruçar-se sobre o “Método Horse Boy”.

“Com a participação de Rupert Isaacson, fundador do projecto, o encontro pretende apresentar os benefícios dos cavalos, do movimento e da natureza para indivíduos com autismo”, explica a Câmara Municipal de Palmela em nota de Imprensa, lembrando que os interessados em participar deverão formalizar a inscrição, através do endereço inovar.autismo@gmail.com.

O Método Horse Boy tem 11 anos de existência, sendo reconhecido internacionalmente como terapia, com resultados comprovados. “Em Portugal, já ajudou 20 famílias”, aponta a autarquia, salientando que Rubert Isaacson é autor do livro “O Menino e o Cavalo”, no qual o autor conta a “extraordinária viagem de um pai para curar um filho” com autismo e a relação que este estabelece com cavalos.

A conferência é promovida pela Inovar Autismo – Associação de Cidadania e Inclusão e pela Horse Boy Portugal, com o apoio da Câmara Municipal de Palmela, da HBV – Associação Equestre, e da Venância da Costa Lima.

A Inovar Autismo – Associação de Cidadania e Inclusão, sediada no distrito de Setúbal, tem vindo a desenvolver actividade no concelho de Palmela, destacando-se a acção de formação “Abordagem Geral sobre a Pessoa com Deficiência”, com a duração de 25 horas.

 

Fonte: PINHAL NOVO | Benefícios dos cavalos em pessoas com autismo apresentados no Auditório Municipal – Diário da Região

Remédios contra depressão combatem autismo em camundongos – Bem Paraná

Cientistas verificaram que a falta de serotonina diminui a capacidade de controle de certos neurônios

REINALDO JOSÉ LOPES SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O princípio ativo de medicamentos normalmente usados contra depressão foi capaz de reverter parte dos sintomas do autismo em camundongos que sofrem de uma forma do problema similar à que existe em seres humanos. Os resultados sugerem que ao menos parte das pessoas dentro do chamado espectro autista poderia se beneficiar do uso de antidepressivos, embora mais estudos sejam necessários para confirmar a viabilidade da ideia. Conduzidos pelo médico Toru Takumi e seus colegas do Instituto Riken de Ciência do Cérebro, no Japão, os experimentos envolveram um conjunto de roedores geneticamente modificados cujas alterações no DNA imitam as que estão associadas ao surgimento do autismo em pessoas. As causas e as manifestações desse problema em seres humanos são complexas e multifacetadas, com diferentes níveis de gravidade. Mas há muitos indícios ligando até 20% dos casos a alterações genéticas de grande escala. Uma delas, induzida pelos cientistas japoneses no genoma dos camundongos, envolve a duplicação de um trecho de mais de 6 milhões de pares de “letras” do DNA, que o indivíduo herda do lado do pai. Os bichos que carregam essa duplicação equivalente à humana apresentam alguns dos sintomas comuns entre pessoas do espectro autista: dificuldades de comunicação e de interação social, comportamento pouco flexível e anomalias no funcionamento cerebral.

SEROTONINA Boa parte desses problemas parece estar ligada a deficiências na ação da serotonina, um dos principais neurotransmissores (mensageiros quimicos do cérebro). “O que não se sabia até agora era o impacto funcional dessa deficiência de serotonina, e o fato de que é possível reverter essas anormalidades comportamentais por esse caminho”, afirma Takumi. Ao estudar os bichos, o grupo japonês verificou que a falta de serotonina diminui a capacidade de manter sob controle certos neurônios, como os que recebem os estímulos vindos das vibrissas (os “bigodes”) dos camundongos. A área cerebral estimulada por um toque numa das vibrissas era bem maior nos roedores geneticamente alterados do que nos normais, e seus neurônios tendiam a ficar mais ativos do que o esperado. Veio então o tratamento com fluoxetina, princípio ativo de antidepressivos como o Prozac. Tudo indica que a fluoxetina e outras drogas do tipo agem aumentando a quantidade de serotonina disponível para a transmissão de mensagens entre um neurônio e outro, o que normalizaria esse elemento do funcionamento cerebral dos bichos. Foi o que ocorreu, de fato, ao menos no que diz respeito ao comportamento social dos camundongos. Quando filhotes, eles deixaram de ficar emitindo chamados o tempo todo, um indício de ansiedade excessiva. Também passaram a interagir de forma mais normal com camundongos desconhecidos, o que não acontecia com as cobaias que não passaram pelo tratamento.

PERSONALIZADO “O grande pulo-do-gato é saber quais indivíduos poderiam se beneficiar disso”, analisa o pesquisador brasileiro Alysson Muotri, da Universidade da Califórnia em San Diego, que estuda a biologia do autismo e comentou o estudo a pedido da Folha. “Vai ser interessante ver se o que eles viram nos camundongos vai se repetir num ensaio clínico [com seres humanos].” Para Muotri, tem ficado cada vez mais claro que terapias com potencial para reverter sintomas do autismo, mesmo em cérebros adultos, são possíveis, desde que os especialistas sigam as pistas genéticas sobre a origem do problema em cada pessoa. “Será difícil encontrar uma única droga que sirva para todos. O mais provável é que tenhamos medicamentos que atuem em vias especificadas, daí a importância de um exame genético acompanhando o diagnóstico clínico. No futuro próximo isso vai acontecer para todo mundo, basta o custo do sequenciamento [“leitura” do genoma] baixar.”

Fonte: Remédios contra depressão combatem autismo em camundongos – Bem Paraná