Estudo encontra danos cerebrais em 99% dos jogadores de futebol americano | Bem Estar | G1

Por France Presse

26/07/2017 17h17 Atualizado 27/07/2017 17h14

Pesquisadores examinaram os cérebros de jogadores de futebol americano falecidos e descobriram que 99% deles apresentavam sinais de doença degenerativa, que se acredita ser causada pelos golpes repetidos na cabeça, segundo um estudo publicado nesta terça-feira (25).

Os pesquisadores encontraram evidências impressionantes de encefalopatia traumática crônica (ETC) em 110 dos 111 cérebros doados de jogadores da Liga Nacional de Futebol (NFL) americana, de acordo com o estudo publicado na revista “Journal of the American Medical Association”.

A ETC causa sintomas como perda de memória, vertigem, depressão e demência. Os problemas podem surgir anos após o fim da carreira de um jogador.

Nos últimos anos, a NFL enfrentou críticas e processos ligados à questão das concussões e traumatismo craniano. Em 2015, a Liga chegou a um acordo de US$ 1 bilhão para resolver milhares de ações judiciais de antigos jogadores que sofriam de problemas neurológicos.

Estudo encontra danos cerebrais em 99% dos jogadores de futebol americano

Estudo encontra danos cerebrais em 99% dos jogadores de futebol americano

Além dos jogadores da NFL, os pesquisadores também examinaram os cérebros de pessoas que jogaram no colégio, na faculdade, semi-profissionalmente e na Canadian Football League.

Os autores do estudo, da Universidade de Boston, descobriram que 87% dos 202 jogadores examinados, cuja média de idade era de 66 anos, apresentavam sinais de ETC.

“Essas descobertas sugerem que a ETC pode estar relacionada à participação anterior no futebol e que um alto nível de jogo pode estar relacionado a uma carga substancial de doença”, escreveram os autores do estudo.

A evidência mais aguda da condição degenerativa, que atualmente só pode ser diagnosticada post-mortem, foi encontrada entre aqueles que jogaram nos níveis mais altos.

Embora a pesquisa — o maior estudo sobre ETC publicado até o momento — sugira que a doença pode estar relacionada à participação no futebol, os pesquisadores alertaram contra a extrapolação dos resultados para a população em geral.

Como os cérebros estudados foram em sua maioria doados por famílias preocupadas, eles não representam necessariamente todas as pessoas que jogaram o esporte.

Os riscos de lesões na cabeça no esporte nos Estados Unidos se tornaram uma grande preocupação conforme ex-jogadores revelaram os efeitos a longo prazo sobre sua saúde, incluindo comportamento errático e transtornos do humor.

A questão surgiu depois que Junior Seau — considerado um dos maiores defensores de todos os tempos — se suicidou em 2012, aos 43 anos. Um estudo post-mortem de seu cérebro mostrou que ele sofria de ETC.

Fonte: Estudo encontra danos cerebrais em 99% dos jogadores de futebol americano | Bem Estar | G1

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