Virologista: Brasil precisa deixar ‘improviso’ de lado contra febre amarela

O Globo

Os casos de febre amarela silvestre nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo têm todos a mesma origem: um grande surto em macacos, aquilo que a ciência chama de epizootia. Veja um macaco doente e saiba onde o vírus está, afirma o virologista Luiz Tadeu Figueiredo, professor titular de Doenças Infecciosas e Tropicais e coordenador do Centro de Pesquisa em Virologia na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Figueiredo é um dos mais experientes especialistas do Brasil em arboviroses, as infecções virais transmitidas por artrópodes como os mosquitos. E acompanha o surto com preocupação.

O que ocorre neste momento no Brasil?

Um surto de febre amarela silvestre originado em outro excepcionalmente grande em macacos. A doença se espalha pelo que restou de nossas florestas, pelas beiras de rios, atravessa estados, não tem fronteiras. Os nossos macacos são muito vulneráveis ao vírus da febre amarela. Em Minas, em São Paulo, no Espírito Santo, é tudo a mesma coisa. A mesma doença. Ela é tão grave, tão fulminante, que algumas espécies de macacos podem desaparecer. Eles são tão vítimas quanto nós.

Por que esse surto parece pior que os anteriores na História recente do Brasil?

O vírus pode ter mudado. Os macacos podem estar mais suscetíveis. As duas coisas. Ainda não sabemos. Não sabemos como e por que começou. O que sabemos é que é preciso vacinar muito e logo. Para contrair febre amarela silvestre no Brasil, uma pessoa precisa ter duplo azar. O primeiro é não ser vacinada. O segundo é ser picada por um mosquito que picou um macaco doente. Infelizmente, esse tipo de azar não é raro. E é previsível. Temos uma forma de proteção eficiente, a vacina.

E qual é o problema?

É que o Brasil está acostumado a improvisar. Vacina correndo, quando há um surto. Depois, relaxa. Prevenir parece uma coisa chata, monótona. Mas não se pode relaxar. Está na hora de repensar o programa de vacinação. Episódios de epizootia ocorrem de tempos em tempos. E de tempos em tempos podem se agravar. Impossível ter controle sobre isso. Mas é possível ter controle na prevenção. Estar preparado.

Até onde irá esse surto?

Em macacos, até onde as matas o levarem. Em seres humanos, até onde a vacinação for suficiente.

Esses casos estão relacionados com a morte de um homem em Ribeirão Preto em dezembro passado?

Sim. É a mesma doença. O caso de dezembro foi o de um homem não vacinado que visitou uma área de mata. Visitar áreas de mata sem vacina é uma péssima ideia.

Leia mais: http://oglobo.globo.com/oglobo-20816036#ixzz4WgBqe1D8

Fonte: Virologista: Brasil precisa deixar ‘improviso’ de lado contra febre amarela

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