É possível reverter sintomas de autismo na fase adulta, diz estudo – Notícias Ao Minuto

O autismo é uma patologia sem cura que afeta cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo

Desenvolvida por uma equipe de cientistas norte-americanos e pela portuguesa Patrícia Monteiro, do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da Universidade de Coimbra (UC), a investigação incidiu sobre o ‘Shank3’, um dos genes implicados no autismo, afirma a UC, numa nota divulgada nesta quarta-feira (17).

O autismo é uma patologia sem cura que afeta cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo. O estudo foi publicado na revista científica Nature nesta quara-feira (17).

A origem do autismo é “bastante variável”, mas o ‘Shank3’ está “associado a uma forma monogênica da patologia” e, quando surge uma mutação, “a proteína resultante deste gene – que funciona como um ‘andaime’ que dá acesso à comunicação entre neurónios – deixa de suportar a estrutura, causando danos no circuito neuronal”, explica a UC.

Para compreender o autismo, doença neuropsiquiátrica que compromete o normal desenvolvimento da criança e que permanece durante toda a vida, os especialistas desenvolveram, durante quatro anos, experiências em ratos adultos.

Os animais foram sujeitos à mutação do gene, tendo a experiência revelado, “pela primeira vez”, que é “possível reverter dois dos principais sintomas do autismo: ausência de interação social e comportamentos repetitivos”.

Ou seja, os investigadores conseguiram “consertar o “andaime” e restabelecer a comunicação na estrutura “durante a fase de vida adulta desses ratos, demonstrando que é possível reverter as alterações bioquímicas, problemas de comunicação neuronal e mesmo melhorar as interações sociais e comportamentos repetitivos”, explicita Patrícia Monteiro, citada pela UC.

A especialista portuguesa participou no estudo ao abrigo do Programa Doutoral em Biologia Experimental e Biomedicina do CNC em parceria com o MIT (Massachusetts Institute of Technology), que lidera esta investigação.

A descoberta “abre portas para a criação dos primeiros medicamentos eficazes no tratamento da doença”, sustenta Patrícia Monteiro, adiantando que “estes resultados indicam que, embora o autismo seja uma perturbação do desenvolvimento, é possível intervir na sua fase adulta”.

As experiências em ratinhos não têm aplicação direta nos humanos, mas Patrícia Monteiro sublinha que o estudo “ajuda a compreender o conjunto de alterações biológicas presentes no autismo e abre portas para o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas, como por exemplo estratégias direcionadas para a melhoria de certas alterações comportamentais passíveis de serem revertidas em fase adulta e não para o quadro de alterações comportamentais do autismo como um todo”.

A participação portuguesa na investigação foi financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), enquanto pela parte dos EUA o estudo foi apoiado por cinco entidades.

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