Cientistas querem usar nanotecnologia para “fritar” vírus Ebola -IDGNOW

Nanoestrelas de ouro conseguiriam interromper a mutação do vírus, que até agora matou mais de 1,2 mil pessoas, e por meio de aquecimento matariam suas células

Cientistas da Universidade de Northeastern estão usando nanotecnologia para encontrar um tratamento efetivo contra o vírus Ebola, que já matou 1,2 mil pessoas e infectou um número ainda maior de doentes.

A dificuldade para encontrar uma vacina para o vírus está ligada ao fato de que ele sofre mutações em grande velocidade. Como achar um jeito de segurar um vírus que está mudando de forma a toda hora? O professor Thomas Webster, que também é chairman de bioengenharia e engenharia química na Northeastern acredita que a resposta está na nanotecnologia.

Mais precisamente nas nanopartículas que estão sendo desenvolvidas por Webster e que poderiam impedir o vírus de mutar e matá-lo. A capacidade fazer isso seria um elemento vital para virar o jogo contra o vírus mortal que muitos cientistas e médicos temem possa se espalhar rapidamente pelo mundo.

Doença virulenta

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informa que o vírus Ebola, antes conhecido como febre hemorrágica Ebola, é uma das doenças mais virulentas do mundo, com uma índice de fatalidade de 90%. O Elbola se espalha por contato direto com sangue, fluidos corporais e tecidos de animais ou pessoas infectados.

As autoridades de saúde tentaram conter sem sucesso a epidemia, que começou na Guiné e se espalhou pela Libéria e Nigéria. Os países declararam emergência de saúde por causa disso. Não há uma vacina ou tratamentos específico para o vírus, embora várias vacinas tenham sido testadas sem êxito, segundo a OMS.

Nano contra Nano

“Como os vírus, e o Ebola, são nanoestruturas, muitos de nós acreditam que o único jeito de atacá-los é usando a mesma arma, ou seja, outros nanomateriais”, diz Webster. “Em nanotecnologia voltamos a atenção para o desenvolvimento de nanopartículas que podem se grudar quimicamente  aos vírus e então interromper sua disseminação”, explica o cientista.

Os nanomateriais poderiam mudar a estrutura do vírus de forma que ele não mais conseguisse entrar nas células do hospedeiro para se replicar. “Também estamos desenvolvendo nanopartículas de ouro que podem grudar no Ebola e em outros vírus e quando aquecemos o ouro usando ondas de raios infravermelhos podemos seletivamente matar o vírus Ebola que está alojado no doente”, explicou Webster à Computerworld.

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Uso contra o câncer

Uma técnica similar foi testada para matar células cancerígenas. Há pouco mais de um ano, um time de pesquisadores da Universidade de Cornell anunciou que tinha conseguido matar células de câncer do colo do reto usando a técnica de aquecer nanopartículas de ouro associadas a elas. Está provado que o calor é um assassino de células cancerígenas, mas os pesquisadores descobriram que se o corpo todo do paciente tiver a temperatura elevada há prejuízo também para as células saudáveis.

Os pesquisadores da Cornell idealizaram um jeito de atacar apenas as células malignas com a onda de calor, usando as nanopartículas de ouro associadas às células porque elas amplificam o calor diretamente dentro do tumor. Ao usar um laser próximo do infravermelho, a nanopartícula pode ser aquecida a até 50oC, o que é suficiente para matar muitas células cancerígenas. O trabalho mostrou um aumento de três vezes do número de células mortas e uma redução “substancial”, porém ainda incompleta, do tumor em 30 dias.

Nanoestrela

Os cientistas da Northeastern querem fazer o mesmo tratamento contra o vírus Ebola. Para tornar o aquecimento mais efetivo, Webster e seus colegas decidiram aquecer uma superfície maior para poder danificar o maior número de células do vírus. Isso fez com que eles criassem uma nanoestrutura maior que uma nanopartícula comum, explica a Northeastern.

Eles criaram então uma “nanostar” (ou nanoestrela) que tem maior área de superfície que uma nanopartícula esférica. “Ela pode aquecer mais rápido que uma esfera e consegue atacar mais células do vírus assim que eles absorvem a partícula”, explica Webster.

O cientista no entanto diz que ainda vai levar entre 5 a 10 anos para ter um tratamento definitivo para o Ebola usando a nanotecnologia. Ele lembra que outros laboratórios estão trabalhando na mesma linha, portanto há mais chances da cura pela nanotecnologia chegar mais cedo.


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