Estudo explica por que urso polar é saudável, embora consuma muita gordura – Ciência – Notícia – VEJA.com

Mutações genéticas que acompanharam a evolução do animal o tornaram capaz de metabolizar grandes quantidades de colesterol no sangue

Urso polar: No caso do animal, dieta rica em gordura não é sinônimo de risco de doenças cardíacas

Urso polar: No caso do animal, dieta rica em gordura não é sinônimo de risco de doenças cardíacas (Odd Andersen/AFP)

Uma nova pesquisa descobriu o motivo pelo qual o urso polar acumula muita gordura no corpo sem correr um risco grande de desenvolver doenças cardíacas. Segundo o estudo, feito nos Estados Unidos, essa habilidade do animal se deve a mutações genéticas que aconteceram ao longo de sua evolução e que interferem na função cardiovascular.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Population Genomics Reveal Recent Speciation and Rapid Evolutionary Adaptation in Polar Bears​

Onde foi divulgada: periódico Cell

Quem fez: Rasmus Nielsen, Eske Willerslev, Jun Wang e outros

Instituição: Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos

Resultado: De 500.000 anos para cá, o urso polar evoluiu para uma espécie diferente do urso pardo. Nesse período, o animal sofreu mutações genéticas que permitem que ele consumisse muita gordura e tenha um percentual de gordura elevado, mas não corra grandes riscos de ter doença cardíaca.

Parte da adaptação dos ursos polares a ambientes extremamente frios depende de uma alimentação rica em lipídios. Quase metade da composição corporal desses animais é de gordura e, consequentemente, os níveis de colesterol no organismo do mamífero são muito elevados, suficientes para causar doenças cardiovasculares em seres humanos. Já entre os animais a prevalência de doença cardíaca não é alta.

Para tentar descobrir de que forma o coração desses ursos se protegem contra altos níveis de gordura, pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley sequenciaram e analisaram o genoma de 79 ursos polares e dez ursos pardos de regiões diferentes do mundo. As conclusões foram publicadas nesta quinta-feira no periódico Cell.

De acordo com o estudo, os ursos polares apresentam mutações em genes associados, por exemplo, à forma como o corpo metaboliza a gordura e a transporta no sangue. Um desses genes é o Apob, responsável por remover o colesterol da corrente sanguínea e levá-lo para as células. A mutação identificada no genoma dos animais sugere que o urso polar consegue administrar quantidades muito elevadas de açúcar e triglicérides no sangue, o que diminui o risco de doenças cardíacas.

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A pesquisa concluiu que essas mutações ocorreram de 500.000 anos atrás para cá, quando o urso polar evoluiu para um grupo distinto do urso pardo. Segundo os autores, isso mostra que a espécie do urso polar é mais jovem do que se pensava — estimativas apontavam que a separação havia ocorrido entre 600.000 e 1 milhão de anos atrás. “Todas as adaptações únicas que os ursos polares têm no ambiente do Ártico devem ter ocorrido em um período de tempo muito curto”, afirmou Rasmus Nielsen, professor de biologia integrativa e estatística da Universidade da Califórnia em Berkeley.

Para os autores do estudo, essas informações sobre o urso polar podem ajudar a encontrar formas de evitar ou combater a obesidade em seres humanos. “A genética comparativa nos permite aprender como outros organismos lidam com condições às quais também somos expostos”, diz Nielsen.

 

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