Hanseníase e outras doenças de pele: vencer o preconceito ainda é desafio – VIVA COM MAIS SAÚDE – ARTIGO

Christiana Blattner

Anualmente, o Ministério da Saúde considera o último domingo do mês de janeiro como o Dia Nacional de Combate e Prevenção da Hanseníase, uma das doenças de pele mais antigas de que se tem notícia. Não só a hanseníase, mas outras doenças de pele visíveis, como a psoríase e o vitiligo, em geral fazem dos pacientes vítimas de preconceito, bullying, com grande impacto sobre a autoestima. O esclarecimento e o acesso à informação do público em geral podem contribuir para evitar constrangimentos. Confira algumas das principais doenças de pele e os tratamentos mais avançados para controlá-las:

Hanseníase

A hanseníase é uma infecção causada pelo Bacilo de Hansen. A doença, que no passado era denominada de Lepra, apresenta como sinais e sintomas mais frequentes manchas claras em qualquer área da pele, com adormecimento. A transmissão ocorre pelas vias respiratórias (secreções nasais, tosses, espirros). Iniciando rapidamente o tratamento, que é feito com o uso de medicamentos, é possível evitar quaisquer sequelas graves, como úlceras e deformidades. Apesar do bacilo causador da doença infectar um grande número de pessoas, a maioria consegue se defender naturalmente e poucas adoecem realmente. Assim que a pessoa doente inicia o tratamento, ela deixa de transmitir o bacilo.

Hemangiomas

Os hemangiomas são tumores benignos dos vasos sanguíneos que surgem já no primeiro ano de vida. As manchas pequenas podem ser inofensivas, porém as mais extensas podem ameaçar a vida do paciente, provocando obstrução de visão, das vias aéreas ou digestivas. O tratamento precoce, com o uso de laser, faz com que o problema seja interrompido e reduz o risco de sequelas. A luz do laser vira energia térmica dentro da pele e, por sua alta temperatura, coagula o vaso, destruindo-o sem causar nenhum problema, porque ele é reabsorvido pelo organismo.

Psoríase

A psoríase é uma doença crônica não contagiosa que afeta aproximadamente 3% da população mundial. Atinge tanto homens quanto mulheres, principalmente na faixa etária entre 20 e 40 anos, e especialmente áreas como unhas, tronco, couro cabeludo, e inclusive articulações, com dores que simulam artrite. O tratamento pode variar entre medicações locais ou por via oral, dependendo do tipo e da extensão das lesões. Hidratar bem a pele é indispensável, pois a psoríase frequentemente acomete articulações, como os cotovelos, que são regiões mais ressecadas. Não se pode prevenir a doença, mas o acompanhamento médico é importante para controlar a reincidência. Difundir informações sobre a doença para acabar com o desconhecimento é também fundamental para eliminar o preconceito, que ainda existe e dificulta muito a convivência com a doença por parte do paciente.

Vitiligo

O vitiligo caracteriza-se pela diminuição ou falta da melanina, o pigmento que dá cor à pele, em certas áreas do corpo, onde aparecem manchas brancas. Estas lesões atingem principalmente cotovelos, joelhos, face, além das genitálias, mãos e pés. Quanto mais precocemente iniciado o tratamento através de medicamentos e da fototerapia, melhor será o resultado. Apesar dos danos estéticos que acarreta, o vitiligo não causa nenhum prejuízo à saúde, nem é transmitido de pessoa para pessoa.

Acne

Comum especialmente durante a fase da adolescência, mas também em muitas pessoas na fase adulta, a acne, em casos mais severos, afeta de forma significativa a autoestima. Jovens com um processo inflamatório agudo, com muitas espinhas no rosto, ou pessoas que ficam marcadas por vários anos pelas cicatrizes de acne, podem ter a autoestima bastante afetada pelo problema. Por ser multifatorial, envolvendo causas genéticas, hormonais, entre outras, a acne exige vários métodos combinados para o tratamento. O tratamento é individualizado, por isso depende da consulta do paciente com o seu médico dermatologista. A boa notícia é que até mesmo as cicatrizes mais profundas podem ser suavizadas. De acordo com a especialista, micro enxertos, micro preenchimentos, micro lixamentos, uso de laser vascular, entre outros tratamentos, são armas poderosas usadas pelos dermatologistas para combater as marcas visíveis da acne no rosto. O Laser CO2 Fracionado, por exemplo, é um laser eficaz no combate às cicatrizes, incluindo as de acne, pois consegue atingir as camadas mais profundas da pele. Essa tecnologia é chamada de fracionada justamente porque o laser é dividido em pequenos microfeixes, que conseguem atingir regiões bem pontuais e profundas, remodelando e suavizando as cicatrizes.

Christiana Blattner é médica dermatologista, membro efetivo da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

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