Clínica Alamedas

Diário de Pernambuco
   

A morada de Amanda (nome fictício) parece segura. Possui um silêncio particular, destinado somente aqueles envoltos pelo líquido amniótico das barrigas de suas mães. Vez por outra, o conforto daquele universo é quebrado. A mãe de Amanda, chama-se Alessandra (também fictício) e tem 27 anos. Ela não sabe calcular com exatidão há quanto tempo observa o bebê crescer no seu ventre. Vive em situação de rua, na Aurora, e entre seus companheiros estão o crack, o álcool e o cigarro. A dependência das drogas e a miséria lhe afastam do alimento e do sono. Quando a pedra acaba e o vício exige reação rápida do corpo, prostitui-se. No interior daquela barriga gestante, Amanda se movimenta. Dá sinal de vida à mãe.

A segunda geração de vítimas do crack está em plena construção. São crianças gestadas e paridas em meio ao recente fenômeno da feminilização do uso…

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